Rotativo do cartão e parcelamento da fatura: entenda os juros
Entenda o que é o rotativo do cartão, como funciona o parcelamento da fatura, por que a dívida cresce tão rápido e o que comparar antes de aceitar.
O rotativo do cartão é o crédito que o banco libera automaticamente quando você paga menos do que o valor total da fatura. Ele é um dos créditos mais caros do país porque cobra juros altos sobre o saldo em aberto, dia após dia, sem que você tenha pedido nada. O parcelamento da fatura é a alternativa que o banco precisa oferecer depois de 30 dias no rotativo: sai mais barato, mas continua sendo uma dívida com juros que precisa caber no seu orçamento.
O que é o rotativo do cartão
Toda fatura tem três números que importam: o valor total, o pagamento mínimo e a data de vencimento. Se você paga o total, não há juros. Se paga qualquer valor entre o mínimo e o total, a diferença que ficou em aberto entra no crédito rotativo.
Na prática, o rotativo é um empréstimo que você contrata sem assinar nada, apenas por deixar parte da fatura sem pagar. Sobre esse saldo o banco cobra juros diários e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que também incide sobre o crédito ao consumidor.
O percentual do pagamento mínimo é definido pela instituição, dentro das regras do Banco Central, e aparece na própria fatura. Pagar o mínimo evita o atraso e a negativação, mas não evita os juros. É uma solução de emergência para um mês, não um hábito.
Por que o rotativo é tão caro
O cartão de crédito é um crédito sem garantia. O banco não tem um bem para tomar se você não pagar, como acontece no financiamento de um carro, e a inadimplência nessa modalidade é alta. Esse risco é repassado para a taxa de juros, que recai sobre quem fica no rotativo.
Há outro motivo: o rotativo é automático. Ninguém compara propostas antes de entrar nele. Quem contrata um empréstimo pessoal costuma olhar a taxa; quem paga o mínimo da fatura muitas vezes nem sabe quanto está pagando.
Por esses motivos, a taxa do rotativo é, há muitos anos, uma das mais altas entre todas as linhas de crédito para pessoas físicas acompanhadas pelo Banco Central. O valor exato muda com frequência e varia de banco para banco. Para saber quanto o seu cobra hoje, consulte o ranking de taxas de juros por instituição no site do Banco Central.
Os juros do rotativo são compostos: a cada período, eles incidem sobre o saldo que já inclui os juros anteriores. É o mesmo mecanismo que faz um investimento crescer ao longo dos anos, só que contra você. O artigo sobre juros compostos mostra a conta em detalhe.
A regra dos 30 dias e o parcelamento da fatura
Desde 2017, uma regra do Conselho Monetário Nacional (CMN) limita o tempo que uma dívida pode ficar no rotativo: 30 dias. Na fatura seguinte, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento do saldo, com juros menores que os do rotativo, ou você quita o valor de uma vez.
O parcelamento da fatura funciona como um empréstimo comum: o saldo em aberto (que já inclui os juros do rotativo) é dividido em parcelas fixas, com uma taxa mensal e um Custo Efetivo Total (CET) que o banco deve informar antes de você aceitar.
Se você não pagar nem escolher uma opção, vale o que está no contrato do cartão. Em geral, o banco migra o saldo para o parcelamento previsto ali. Por isso, leia a proposta: número de parcelas, valor de cada uma, taxa e CET.
Uma segunda regra, aprovada em 2023 e em vigor desde 2024, limita o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura a 100% do valor original da dívida. Isso é um teto, não um desconto: a dívida ainda pode dobrar. A regra pode ser alterada, então confira a versão atual no site do Banco Central.
Enquanto o parcelamento estiver ativo, as novas compras continuam entrando na fatura. Se você paga a parcela mas não consegue pagar as compras novas, o restante vai de novo para o rotativo. É assim que a bola de neve se forma.
Um exemplo com números hipotéticos
Imagine uma fatura de R$ 2.500 e um pagamento mínimo de R$ 500. Os R$ 2.000 que ficaram em aberto entram no rotativo. Para o exemplo, use uma taxa hipotética de 12% ao mês. Após 30 dias, o saldo é de R$ 2.000 × 1,12 = R$ 2.240, sem contar o IOF. Em um mês, R$ 240 de juros.
Se fosse possível ficar no rotativo por um ano inteiro com essa taxa, a conta seria R$ 2.000 × 1,12 elevado a 12, o que dá cerca de R$ 7.790. A dívida quase quadruplicaria. É por isso que a regra dos 30 dias existe. E, com o teto de 100%, os encargos parariam em R$ 2.000, ou seja, uma dívida de R$ 4.000: ainda o dobro.
Agora veja o parcelamento. O banco oferece dividir os R$ 2.000 em 12 parcelas com taxa hipotética de 6% ao mês. A parcela fica em cerca de R$ 239, o total pago em torno de R$ 2.860 e os juros em cerca de R$ 860.
Compare com um crédito pessoal hipotético a 3% ao mês, também em 12 parcelas, usado para quitar a fatura: parcela de cerca de R$ 201, total em torno de R$ 2.410 e juros de cerca de R$ 410.
| Opção (exemplo hipotético) | Taxa mensal | Parcela | Total pago | Juros |
|---|---|---|---|---|
| Rotativo por 30 dias | 12% | não há | R$ 2.240 | R$ 240 |
| Parcelamento da fatura em 12x | 6% | R$ 239 | R$ 2.860 | R$ 860 |
| Crédito mais barato em 12x | 3% | R$ 201 | R$ 2.410 | R$ 410 |
As taxas acima são ilustrativas. As reais mudam todo mês e estão no site do Banco Central. O que não muda é a lógica: quanto maior a taxa e quanto mais tempo a dívida fica aberta, mais caro sai.
Alternativas antes de aceitar o parcelamento
Antes de clicar em "parcelar", vale passar por esta lista, nesta ordem:
- Quitar com a reserva de emergência. Se você tem dinheiro guardado, nenhum investimento de baixo risco rende perto do que o rotativo cobra. Usar a reserva para zerar a fatura e depois repô-la costuma ser a decisão mais barata. Veja como funciona a reserva de emergência.
- Negociar com o próprio banco. Peça pelo app ou pelo atendimento uma proposta com taxa menor, mais parcelas ou desconto para pagamento à vista. O guia sobre como negociar dívidas mostra o passo a passo.
- Trocar por um crédito mais barato. Um crédito pessoal ou um empréstimo consignado pode ter CET bem menor que o parcelamento da fatura. Você contrata o crédito, paga a fatura inteira e fica com uma única parcela menor. Compare o CET antes.
- Vender algo ou gerar uma renda pontual. Um objeto parado que cubra parte da fatura reduz o saldo que vai render juros.
- Pausar o cartão. Enquanto a dívida existir, use débito ou dinheiro. Cada compra nova no cartão aumenta a fatura que você já não consegue pagar.
O que não fazer: pagar o mínimo mês após mês, usar o cheque especial para pagar o cartão (é trocar uma dívida cara por outra cara) e aceitar qualquer crédito sem comparar o CET.
Como comparar propostas: olhe o CET, não só a parcela
A taxa mensal anunciada não conta a história inteira. O CET reúne juros, IOF, tarifas e seguros embutidos, e o banco é obrigado por regra do Banco Central a informá-lo antes da contratação. É esse número que permite comparar propostas diferentes.
Para cada opção, anote: valor financiado, número de parcelas, valor da parcela, CET mensal e anual, e se há seguro ou tarifa incluída. Multiplique a parcela pelo número de meses e subtraia o valor da dívida: esse é o custo real em reais.
Desconfie de parcela pequena com prazo longo. Ela cabe no mês, mas o total pago pode ser muito maior. Se tiver dúvida entre duas propostas com prazos diferentes, compare o total pago e o CET, não a parcela.
Como não voltar para o rotativo
Sair do rotativo uma vez é possível. O difícil é não voltar. Três hábitos ajudam:
- Pagar sempre o total da fatura. Se não dá para pagar o total, a compra não cabia.
- Ajustar o limite do cartão para um valor que você consegue pagar em um mês. Limite não é renda.
- Registrar os gastos do cartão no orçamento no dia em que acontecem, não no dia da fatura. O artigo sobre como fazer um orçamento pessoal tem um método simples.
Se o rotativo aparece todo mês, o problema não é o cartão, é o orçamento. O guia sobre como usar o cartão de crédito explica fechamento, vencimento e melhor dia de compra, o que ajuda a usar o cartão a seu favor.
Próximos passos
- Abra a última fatura e anote o valor total, o pagamento mínimo, a taxa do rotativo e o CET do parcelamento informados ali.
- Consulte no site do Banco Central a taxa de rotativo e de parcelamento da sua instituição e compare com outras.
- Se tiver reserva, quite a fatura hoje. Se não tiver, peça uma proposta de parcelamento ao banco e uma de crédito pessoal, e compare o CET e o total pago.
- Pause o uso do cartão até zerar a dívida e passe as compras do mês para o débito.
- Coloque a parcela escolhida no orçamento como gasto fixo até a última prestação.
Perguntas frequentes
O que acontece se eu pagar só o mínimo da fatura?
Parcelar a fatura do cartão vale a pena?
Os juros do rotativo têm limite?
Posso negociar a dívida do cartão com o banco?
Fontes e referências
Indicadores de hoje
Ver no Banco CentralNão foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.
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