Centavo Certo
Dívidas e crédito

Rotativo do cartão e parcelamento da fatura: entenda os juros

Entenda o que é o rotativo do cartão, como funciona o parcelamento da fatura, por que a dívida cresce tão rápido e o que comparar antes de aceitar.

Por Redação Centavo CertoAtualizado em · 8 min de leitura · Nível iniciante

O rotativo do cartão é o crédito que o banco libera automaticamente quando você paga menos do que o valor total da fatura. Ele é um dos créditos mais caros do país porque cobra juros altos sobre o saldo em aberto, dia após dia, sem que você tenha pedido nada. O parcelamento da fatura é a alternativa que o banco precisa oferecer depois de 30 dias no rotativo: sai mais barato, mas continua sendo uma dívida com juros que precisa caber no seu orçamento.

O que é o rotativo do cartão

Toda fatura tem três números que importam: o valor total, o pagamento mínimo e a data de vencimento. Se você paga o total, não há juros. Se paga qualquer valor entre o mínimo e o total, a diferença que ficou em aberto entra no crédito rotativo.

Na prática, o rotativo é um empréstimo que você contrata sem assinar nada, apenas por deixar parte da fatura sem pagar. Sobre esse saldo o banco cobra juros diários e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que também incide sobre o crédito ao consumidor.

O percentual do pagamento mínimo é definido pela instituição, dentro das regras do Banco Central, e aparece na própria fatura. Pagar o mínimo evita o atraso e a negativação, mas não evita os juros. É uma solução de emergência para um mês, não um hábito.

Por que o rotativo é tão caro

O cartão de crédito é um crédito sem garantia. O banco não tem um bem para tomar se você não pagar, como acontece no financiamento de um carro, e a inadimplência nessa modalidade é alta. Esse risco é repassado para a taxa de juros, que recai sobre quem fica no rotativo.

Há outro motivo: o rotativo é automático. Ninguém compara propostas antes de entrar nele. Quem contrata um empréstimo pessoal costuma olhar a taxa; quem paga o mínimo da fatura muitas vezes nem sabe quanto está pagando.

Por esses motivos, a taxa do rotativo é, há muitos anos, uma das mais altas entre todas as linhas de crédito para pessoas físicas acompanhadas pelo Banco Central. O valor exato muda com frequência e varia de banco para banco. Para saber quanto o seu cobra hoje, consulte o ranking de taxas de juros por instituição no site do Banco Central.

Os juros do rotativo são compostos: a cada período, eles incidem sobre o saldo que já inclui os juros anteriores. É o mesmo mecanismo que faz um investimento crescer ao longo dos anos, só que contra você. O artigo sobre juros compostos mostra a conta em detalhe.

A regra dos 30 dias e o parcelamento da fatura

Desde 2017, uma regra do Conselho Monetário Nacional (CMN) limita o tempo que uma dívida pode ficar no rotativo: 30 dias. Na fatura seguinte, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento do saldo, com juros menores que os do rotativo, ou você quita o valor de uma vez.

O parcelamento da fatura funciona como um empréstimo comum: o saldo em aberto (que já inclui os juros do rotativo) é dividido em parcelas fixas, com uma taxa mensal e um Custo Efetivo Total (CET) que o banco deve informar antes de você aceitar.

Se você não pagar nem escolher uma opção, vale o que está no contrato do cartão. Em geral, o banco migra o saldo para o parcelamento previsto ali. Por isso, leia a proposta: número de parcelas, valor de cada uma, taxa e CET.

Uma segunda regra, aprovada em 2023 e em vigor desde 2024, limita o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura a 100% do valor original da dívida. Isso é um teto, não um desconto: a dívida ainda pode dobrar. A regra pode ser alterada, então confira a versão atual no site do Banco Central.

Enquanto o parcelamento estiver ativo, as novas compras continuam entrando na fatura. Se você paga a parcela mas não consegue pagar as compras novas, o restante vai de novo para o rotativo. É assim que a bola de neve se forma.

Um exemplo com números hipotéticos

Imagine uma fatura de R$ 2.500 e um pagamento mínimo de R$ 500. Os R$ 2.000 que ficaram em aberto entram no rotativo. Para o exemplo, use uma taxa hipotética de 12% ao mês. Após 30 dias, o saldo é de R$ 2.000 × 1,12 = R$ 2.240, sem contar o IOF. Em um mês, R$ 240 de juros.

Se fosse possível ficar no rotativo por um ano inteiro com essa taxa, a conta seria R$ 2.000 × 1,12 elevado a 12, o que dá cerca de R$ 7.790. A dívida quase quadruplicaria. É por isso que a regra dos 30 dias existe. E, com o teto de 100%, os encargos parariam em R$ 2.000, ou seja, uma dívida de R$ 4.000: ainda o dobro.

Agora veja o parcelamento. O banco oferece dividir os R$ 2.000 em 12 parcelas com taxa hipotética de 6% ao mês. A parcela fica em cerca de R$ 239, o total pago em torno de R$ 2.860 e os juros em cerca de R$ 860.

Compare com um crédito pessoal hipotético a 3% ao mês, também em 12 parcelas, usado para quitar a fatura: parcela de cerca de R$ 201, total em torno de R$ 2.410 e juros de cerca de R$ 410.

Opção (exemplo hipotético) Taxa mensal Parcela Total pago Juros
Rotativo por 30 dias 12% não há R$ 2.240 R$ 240
Parcelamento da fatura em 12x 6% R$ 239 R$ 2.860 R$ 860
Crédito mais barato em 12x 3% R$ 201 R$ 2.410 R$ 410

As taxas acima são ilustrativas. As reais mudam todo mês e estão no site do Banco Central. O que não muda é a lógica: quanto maior a taxa e quanto mais tempo a dívida fica aberta, mais caro sai.

Alternativas antes de aceitar o parcelamento

Antes de clicar em "parcelar", vale passar por esta lista, nesta ordem:

  1. Quitar com a reserva de emergência. Se você tem dinheiro guardado, nenhum investimento de baixo risco rende perto do que o rotativo cobra. Usar a reserva para zerar a fatura e depois repô-la costuma ser a decisão mais barata. Veja como funciona a reserva de emergência.
  2. Negociar com o próprio banco. Peça pelo app ou pelo atendimento uma proposta com taxa menor, mais parcelas ou desconto para pagamento à vista. O guia sobre como negociar dívidas mostra o passo a passo.
  3. Trocar por um crédito mais barato. Um crédito pessoal ou um empréstimo consignado pode ter CET bem menor que o parcelamento da fatura. Você contrata o crédito, paga a fatura inteira e fica com uma única parcela menor. Compare o CET antes.
  4. Vender algo ou gerar uma renda pontual. Um objeto parado que cubra parte da fatura reduz o saldo que vai render juros.
  5. Pausar o cartão. Enquanto a dívida existir, use débito ou dinheiro. Cada compra nova no cartão aumenta a fatura que você já não consegue pagar.

O que não fazer: pagar o mínimo mês após mês, usar o cheque especial para pagar o cartão (é trocar uma dívida cara por outra cara) e aceitar qualquer crédito sem comparar o CET.

Como comparar propostas: olhe o CET, não só a parcela

A taxa mensal anunciada não conta a história inteira. O CET reúne juros, IOF, tarifas e seguros embutidos, e o banco é obrigado por regra do Banco Central a informá-lo antes da contratação. É esse número que permite comparar propostas diferentes.

Para cada opção, anote: valor financiado, número de parcelas, valor da parcela, CET mensal e anual, e se há seguro ou tarifa incluída. Multiplique a parcela pelo número de meses e subtraia o valor da dívida: esse é o custo real em reais.

Desconfie de parcela pequena com prazo longo. Ela cabe no mês, mas o total pago pode ser muito maior. Se tiver dúvida entre duas propostas com prazos diferentes, compare o total pago e o CET, não a parcela.

Como não voltar para o rotativo

Sair do rotativo uma vez é possível. O difícil é não voltar. Três hábitos ajudam:

  • Pagar sempre o total da fatura. Se não dá para pagar o total, a compra não cabia.
  • Ajustar o limite do cartão para um valor que você consegue pagar em um mês. Limite não é renda.
  • Registrar os gastos do cartão no orçamento no dia em que acontecem, não no dia da fatura. O artigo sobre como fazer um orçamento pessoal tem um método simples.

Se o rotativo aparece todo mês, o problema não é o cartão, é o orçamento. O guia sobre como usar o cartão de crédito explica fechamento, vencimento e melhor dia de compra, o que ajuda a usar o cartão a seu favor.

Próximos passos

  1. Abra a última fatura e anote o valor total, o pagamento mínimo, a taxa do rotativo e o CET do parcelamento informados ali.
  2. Consulte no site do Banco Central a taxa de rotativo e de parcelamento da sua instituição e compare com outras.
  3. Se tiver reserva, quite a fatura hoje. Se não tiver, peça uma proposta de parcelamento ao banco e uma de crédito pessoal, e compare o CET e o total pago.
  4. Pause o uso do cartão até zerar a dívida e passe as compras do mês para o débito.
  5. Coloque a parcela escolhida no orçamento como gasto fixo até a última prestação.

Perguntas frequentes

O que acontece se eu pagar só o mínimo da fatura?
O restante da fatura entra no crédito rotativo e passa a render juros diários até o próximo vencimento. Pelas regras do Banco Central, o rotativo só pode durar 30 dias. Depois disso, o banco precisa oferecer o parcelamento do saldo com juros menores.
Parcelar a fatura do cartão vale a pena?
Costuma ser mais barato que ficar no rotativo, mas ainda é um crédito caro. Antes de aceitar, compare o Custo Efetivo Total (CET) do parcelamento com outras linhas de crédito e veja se a parcela cabe no orçamento sem gerar uma nova fatura atrasada.
Os juros do rotativo têm limite?
Desde 2024 existe uma regra que limita o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura a 100% do valor original da dívida. Mesmo assim, a dívida pode dobrar. As regras e as taxas praticadas por cada instituição estão no site do Banco Central.
Posso negociar a dívida do cartão com o banco?
Sim. Você pode pedir uma proposta pelo app do banco ou pelos canais de atendimento, e também usar plataformas de renegociação e o Consumidor.gov.br. Peça o valor total, a taxa e o CET por escrito antes de fechar.

Fontes e referências

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Taxas, limites e regras citadas mudam com o tempo; confira sempre o valor vigente na fonte oficial antes de decidir. O Centavo Certo não recomenda produtos, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
Redação Centavo Certo

Escrevemos a partir de fontes oficiais, sem vender produto financeiro e sem receber para indicar instituições. Responsável editorial: Damiana Santos Vieira Antonio. Encontrou um erro ou uma informação desatualizada? Escreva para a redação; corrigimos e registramos a data da revisão. Próxima revisão programada: 19 de abril de 2027. Leia a política editorial.

Faça a conta: Parcelar ou pagar à vista?Compare o desconto à vista com o parcelado, considerando o que seu dinheiro rende.

Indicadores de hoje

Ver no Banco Central
Meta Selic...taxa básica, ao ano
CDI...referência da renda fixa, ao ano
IPCA...inflação acumulada em 12 meses
Salário mínimo...valor vigente

Não foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.

Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

Leia também

Mais guias de Dívidas e crédito e de outros temas.

Ver tudo em Dívidas e crédito