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Economia no bolso

Inflação e IPCA: como medir e como se proteger

Inflação é a alta geral dos preços e o IPCA é o índice que a mede no Brasil. Veja como ela corrói o dinheiro parado, o que é juro real e como se proteger.

Por Redação Centavo CertoAtualizado em · 8 min de leitura · Nível iniciante

Inflação é o aumento generalizado e contínuo dos preços, e o efeito prático é que o mesmo dinheiro compra menos com o passar do tempo. No Brasil, o índice oficial que mede essa alta é o IPCA, calculado todo mês pelo IBGE. Proteger-se da inflação significa fazer o dinheiro render pelo menos o que os preços sobem, e isso começa por entender como o índice funciona e o que ele diz sobre o seu orçamento.

O que é inflação e por que ela acontece

Inflação não é um produto que ficou caro. É o movimento médio de muitos preços ao mesmo tempo, mantido por meses. Se só o tomate subiu, não é inflação; se alimentos, transporte, aluguel e serviços sobem juntos, é.

As causas variam. Demanda aquecida demais para a capacidade de produção pressiona preços. Custos que sobem, como energia, combustível ou dólar, são repassados ao consumidor. Quebras de safra encarecem alimentos. E a expectativa também conta: quando todos esperam inflação, reajustam preços e salários antes, o que realimenta o processo.

O contrário, a deflação, é a queda generalizada dos preços. Parece bom, mas costuma vir junto com economia parada. O objetivo da política econômica não é inflação zero, e sim inflação baixa e previsível.

IPCA e INPC: os índices do IBGE

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é calculado pelo IBGE a partir de preços coletados todos os meses em capitais e regiões metropolitanas do país. Os itens pesquisados formam uma cesta dividida em grupos: alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação. O peso de cada grupo vem da Pesquisa de Orçamentos Familiares, que mostra em que as famílias gastam.

O IPCA representa famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. É o índice usado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para fixar a meta de inflação que o Banco Central persegue com a taxa Selic. O valor da meta vigente está no site do Banco Central.

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) usa a mesma coleta, mas representa famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, nas quais alimentação pesa mais. Por isso ele é a referência mais comum em reajustes de salário, de benefícios e de acordos coletivos.

O IBGE também divulga o IPCA-15, uma prévia calculada com coleta entre a metade de um mês e a metade do seguinte. Outros índices, como o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), são produzidos por instituições privadas e aparecem em contratos de aluguel.

Como ler o número: mensal, no ano e em 12 meses

O IPCA é divulgado de três formas, e confundi-las gera erro de interpretação:

  • Mensal: quanto os preços subiram de um mês para o outro.
  • Acumulado no ano: a variação composta de janeiro até o mês atual.
  • Acumulado em 12 meses: a variação composta dos últimos doze meses. É o número mais usado para comparar com rendimentos.

A palavra "composta" importa. Em um exemplo simples, se o IPCA fosse 0,5% em cada um dos 12 meses, o acumulado não seria 6%, e sim cerca de 6,17%, porque cada mês incide sobre preços já reajustados no anterior. A conta é (1,005 elevado a 12) menos 1.

Lembre que o IPCA é uma média. A sua inflação pessoal depende do que você consome. Quem gasta muito com alimentação e transporte pode sentir mais do que o índice mostra; quem gasta mais com itens que subiram menos sente o contrário.

Como a inflação corrói o dinheiro parado

Dinheiro guardado na gaveta ou em conta corrente sem rendimento não perde nenhum real, mas perde poder de compra. Em um exemplo simples, imagine R$ 1.000 guardados e uma inflação hipotética de 5% ao ano, constante.

Tempo guardado O que os R$ 1.000 ainda compram, em valores de hoje
1 ano Cerca de R$ 952
5 anos Cerca de R$ 784
10 anos Cerca de R$ 614

A conta é dividir R$ 1.000 por (1,05 elevado ao número de anos). Depois de uma década, o mesmo dinheiro compra pouco mais de 60% do que comprava. Nenhum centavo sumiu da gaveta; o que mudou foi o preço das coisas.

O mesmo vale para a reserva de emergência e para qualquer meta de longo prazo. Guardar não basta: o dinheiro precisa render ao menos o suficiente para acompanhar os preços.

Juro real: o que importa de verdade

Juro nominal é o que a aplicação anuncia. Juro real é o que sobra depois de descontar a inflação. É ele que indica se o seu patrimônio cresceu de fato.

A conta correta é uma divisão, não uma subtração: (1 + juro nominal) dividido por (1 + inflação), menos 1.

  • Aplicação que rendeu 10% com inflação de 4%: 1,10 dividido por 1,04 dá 1,0577. Juro real de cerca de 5,8%.
  • Aplicação que rendeu 8% com inflação de 9%: 1,08 dividido por 1,09 dá 0,9908. Juro real negativo, de cerca de 0,9%. O dinheiro aumentou em reais e encolheu em poder de compra.

Os números são hipotéticos. O ponto é o hábito: sempre que olhar um rendimento, olhe o IPCA acumulado em 12 meses ao lado. Isso vale para comparar a taxa Selic, o CDI e qualquer percentual anunciado por uma instituição.

Investimentos que acompanham a inflação, em linhas gerais

Existem aplicações desenhadas para render a inflação mais uma taxa fixa. São os títulos atrelados ao IPCA: o Tesouro IPCA+, do programa Tesouro Direto, e versões emitidas por bancos e empresas, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), CRIs e CRAs (certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio) e debêntures com a marca "IPCA+". Quem leva o título até o vencimento recebe a variação do IPCA no período mais a taxa combinada, antes do imposto de renda. É a forma mais direta de preservar o poder de compra, com a ressalva de que o imposto incide sobre o rendimento inteiro, inclusive a parte que só repõe a inflação.

A outra ressalva é o caminho até lá. Antes do vencimento, o preço desses títulos oscila conforme os juros de mercado, e vender antecipadamente pode significar receber menos do que o combinado. O artigo sobre o Tesouro Direto explica a marcação a mercado.

Outras classes se comportam de forma diferente:

  • Pós-fixados atrelados à Selic ou ao CDI tendem a acompanhar a inflação de forma indireta, porque o Banco Central sobe os juros quando ela avança. Mas não há vínculo direto: o juro real pode ficar baixo ou negativo em alguns períodos.
  • Prefixados travam uma taxa. Se a inflação surpreender para cima, o juro real encolhe.
  • Poupança segue uma regra ligada à Selic, sem relação com o IPCA. Em períodos de inflação alta, pode render menos do que o índice.
  • Ações e fundos imobiliários podem repassar inflação a preços e aluguéis no longo prazo, mas oscilam muito e não oferecem garantia.

Nenhuma dessas opções é recomendação. A escolha depende do prazo, do objetivo e de quanto de oscilação você aceita. O artigo sobre diversificação mostra como combinar classes para não depender de um só cenário.

Orçamento em época de inflação alta

Quando os preços sobem rápido, o orçamento do mês passado já não serve. Algumas práticas ajudam:

  1. Revise o orçamento todo mês, categoria por categoria, em vez de uma vez por ano. O artigo sobre como fazer um orçamento pessoal traz o método.
  2. Calcule a sua inflação pessoal: compare o gasto com os mesmos itens de três meses atrás e veja onde o aumento se concentrou.
  3. Substitua antes de cortar. Trocar marca, loja ou forma de preparo costuma preservar o padrão de vida gastando menos.
  4. Atenção a contratos indexados. Aluguel, plano de saúde e mensalidade escolar têm reajuste anual por algum índice; saiba qual é e quando vem.
  5. Quite dívidas caras. Em inflação alta, os juros sobem junto, e o rotativo do cartão ou o cheque especial corroem mais rápido do que qualquer rendimento.
  6. Não deixe a reserva parada em conta sem rendimento. Liquidez diária com rendimento é o mínimo.

Próximos passos

  1. Entre no site do IBGE e anote o IPCA acumulado em 12 meses. Esse é o número que você vai usar como régua.
  2. Pegue o rendimento de cada aplicação que você tem nos últimos 12 meses e calcule o juro real com a fórmula da divisão.
  3. Some o quanto você tem parado em conta corrente ou em aplicação que rende abaixo da inflação e defina um destino com liquidez compatível.
  4. Compare o seu gasto com alimentação, transporte e moradia de hoje com o de três meses atrás e identifique a sua inflação pessoal.
  5. Liste os contratos com reajuste anual e as datas em que eles acontecem para não ser pego de surpresa.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre IPCA e INPC?
Os dois são calculados pelo IBGE com a mesma coleta de preços, mas para públicos diferentes. O IPCA cobre famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos e é o índice oficial da meta de inflação. O INPC cobre famílias de 1 a 5 salários mínimos e costuma ser usado em reajustes salariais e de benefícios.
Onde vejo o IPCA do mês?
No site do IBGE, que divulga o índice todo mês em data marcada em calendário. O acumulado em 12 meses também aparece lá e é o número mais usado para comparar com rendimentos de investimentos.
Poupança protege da inflação?
Não necessariamente. A poupança rende conforme uma regra ligada à Selic, sem relação direta com o IPCA. Em períodos em que a inflação supera o rendimento da poupança, o dinheiro guardado nela perde poder de compra.
O que é juro real?
É o rendimento que sobra depois de descontar a inflação. Se uma aplicação rende 10% e a inflação foi de 4% no mesmo período, o ganho real é de cerca de 5,8%, não de 6%, porque o cálculo é uma divisão, não uma subtração.

Fontes e referências

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Indicadores de hoje

Ver no Banco Central
Meta Selic...taxa básica, ao ano
CDI...referência da renda fixa, ao ano
IPCA...inflação acumulada em 12 meses
Salário mínimo...valor vigente

Não foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.

Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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